Ocidentalismo

por Leandro Oliveira

A FLIP como sempre

A Festa Literária Internacional de Paraty, a despeito de seu orçamento diminuto por conta da crise, a despeito dos desfalques de programação, da ausência de grandes nomes literários e do cancelamento da festa do Joãozinho “Príncipe”, foi um sucesso – como todas as outras edições. Algumas notas da imprensa:

O orçamento foi o menor em anos, “apenas” R$ 7,4 milhões. A festa de cinco dias, contou este ano com mais de 70% veio por meio das Lei Rouanet, Lei Estadual de Incentivo à Cultura e Prefeitura de Paraty. Ou seja, ano passado, os cinco dias da festa contaram com um pouco mais do nosso dinheiro;

– A discussão literária foi eclipsada pela pauta político-comportamental, com o viés ideológico costumeiro. A poeta portuguesa Matilde “para que tanta perna, meu Deus” Campilho foi a autora mais vendida da Festa. Teria dito ela, “a poesia não salva o mundo, mas salva um minuto. A gente está aqui para dançar sobre os escombros. E estamos juntos.” Ao que todos saíram arrebatados;

– Entre as referências geriátricas, a Flip consagrou sua homenagem a Mario de Andrade com a presença do jornalista e pesquisador José Ramos Tinhorão. Tinhorão, após tanto tempo, segue no reforço de suas convicções, e discorreu da bossa-nova não ser música brasileira, entre outras enormidades… Opiniões certamente tolas mas que seguem causando polêmica pela idade respeitosa do convidado. As “causarias” de Tinhorão, aon contrário dele mesmo, envelhecem mal e evidentemente são apenas reiterações de um discurso musicológico ideologizado. Tenho amigos que também não gostam de Mozart; sempre digo a eles: “não faz a menor diferença”.

Não saiu na imprensa, mas as ausências seguem dizendo muito sobre a Festa. Marcelo Mirisola, talvez o maior escritor brasileiro de sua geração, segue fora da programação. “Por quê?”, pergunta meu coração.

A edição 2015 da FLIP, em suma, foi a festa de sempre.

****

Leio que o Brasil tem a taxa de 1,7 livro per capita/ano, baixíssima e escandalosa, mas imagino nada muito diferente do passado recente.

Belíssimo o artigo de Sérgio Rodrigues a respeito do assunto em sua coluna “Todo Prosa”.

por Leandro Oliveira

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Publicado às 8 de julho de 2015 por em Explorações, livros, OBSERVATORIO e marcado , , , , , .

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