Ocidentalismo

por Leandro Oliveira

A vinda de Kissin, a ida de Lebrecht…

Evgueni Kissin, um artista que aos 43 anos já faz parte da história do piano, apresenta-se nos próximos dias 12 e 14 na Sala São Paulo pela temporada de concertos da Sociedade Cultura Artística. É o evento do mês – num mês de grandes eventos -, quiçá do ano – numa temporada que desafia a todos nós pela qualidade inequívoca.

Talvez não haja entre os leitores qualquer místico, mas de algum modo não é deste mundo a explicação para o tipo de virtuosismo de Kissin: não apenas como um talento prodígio,  mas um prodígio que surge como um talento acabado aos onze anos, um talento cuja maturidade emocional desconcerta a todos, mesmo entre os mais experientes artistas de seu tempo.

É dito que o próprio Karajan, do alto de seus oitenta e tantos anos, ouviu o menino e chorou.

Arabel von Karajan (filha de Herbert): Um dia vi meu pai em lágrimas. Foi depois de um concerto de Kissin aqui em Salzburg. Ele ficou tão tocado…

Evgueni Kissin: Lembro que nos cumprimentamos e embora fosse um homem pequeno, suas mnaos eram grandes e seu aperto de mãos, a despeito de sua fragilidade física, era vigoroso. E eu tive ainda a impressão de seu olhar perfurante por trás de seus óculos escuros.

Quando terminei de tocar todos ficaram em silêncio. Dei alguns passos em direção a ele e o vi mandar um beijo com as mãos. Ele havia tirado os óculos e o vi enxugar os olhos com seu lenço.

A senhora Karajan estava lá e ela disse que vivia por trinta anos com seu marido e nunca o havia visto tão emocionado. Então nos despedimos e quando Karajan se aproximou de minha mãe que estava lá ele apontou os dedos para mim e disse: “gênio!”.

Foi claro que eu não estava fazendo as coisas deliberadamente. Era além de minha própria vontade. Tudo se dava por conta da presença de Karajan que mobilizava um potencial queestava escondido em mim.

O gênio em ação na sua última passagem pelo Brasil (2006):

****

Preciso assumir: Norman Lebrecht segue na minha lista de leitura. Não sei por quanto tempo… O fato é que hoje seu site, para qualquer pessoa do mercado da música clássica, ou ao menos para mim, é feito menos para acesso à informação mas para chocar os incautos. Eu me divirto sadicamente com suas gafes.

Após dar por morto Niccolai Gedda (a maior barriga jornalística do ano), agora Lebrecht coloca a jovem violinista Nathalie Milstein como parente de outro violinista, o grande Nathan Milstein. A jovem precisou pedir ao site para que, mais uma vez, não fosse reiterado o erro – que já começa a incomodar senão sua carreira, certamente o conteúdo de suas entrevistas.

Desde o livro “O Mito do maestro” sabemos não poder levar Lebrecht a sério como musicólogo. Agora parece que sequer como divulgador da área (quem dirá jornalista!) serve mais…

por Leandro Oliveira

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Últimos tweets

No ocidentalismo não salvamos almas. Alimentamos os peixes para passar as horas…

Agenda de posts

junho 2015
S T Q Q S S D
« abr   jul »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  

Siga Leandro Oliveira no Facebook

%d blogueiros gostam disto: