Ocidentalismo

por Leandro Oliveira

As marcas da água

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Ser ao mesmo tempo questionador mas esquivar-se de qualquer proselitismo talvez seja a menor das qualidade de “As Marcas da Água” (Watermark, 2013), o absolutamente exilariante documentário de Jennifer Baichwal e Edward Burtynsky.

As formas da água, seus usos e suas informações, são o tema do projeto. Para isso, o filme passa não apenas pelo Canadá natal dos realizadores, mas pela Califórnia e Texas (com seus desertos e colheitas impressionantes) mas Índia, China e rincões polares.

Tudo para realizar o desconcertante registro da complexidade e força natural deste que é – e fica claro em diversos momentos – o elemento primevo por excelência da humanidade. Iniciei comentando que o filme nos faz pensar sobre o mundo mas não faz o gênero tosco dos documentários-denúncia. Embora mostre de forma mais que efetiva os maus e bons usos do recurso, não se presta a ser mera propaganda histérica do um eventual apocalipse da seca.

Entre tantas qualidade de sua fotografia e montagem, ressalto essa como uma força inequívoca: provoca pela sensibilidade sofisticada o reordenamento de nossa visão de mundo. Muito mais eficiente que as produções político-publicitárias, tão caras ao nosso modo de ver a “função social” da arte, o filme se coloca como “mera” obra-de-arte. Ao cabo, transforma nossas vidas não pelo apelo ao pânico e medo sensacionalista, mas pelo fortalecimento de nosso espírito através da perplexidade, por vezes com a epifania do Belo, frente a complexidade do mundo.

por Leandro Oliveira

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Publicado às 1 de abril de 2015 por em cinema, Crítica e marcado , .

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