Ocidentalismo

por Leandro Oliveira

Em memória de Sophie Scholl

Fiquei de alguma forma emocionado quando encontrei na página de meu ex-professor de ioga e amigo querido Bruno Bártulitch a figura de Sophie Scholl como uma menção ao dia da mulher. Junto-me a ele na homenagem.

A primeira e extinta versão de Ocidentalismo.com – da qual a cada dia mais me orgulho de ter participado – trouxe um post de uma colaboradora, a professora e amiga Juliana Perez sobre o assunto. Farei uma cópia dele na próxima postagem, mas sintetizo que ali se explica como um grupo de jovens estudantes e professores da Universidade de Munique fez, ao longo do segundo semestre de 1942, sua parte na resistência ao nazismo e encontram por isso a execução por traição.

Um dos meus ensaios favoritos de “Cultural Amnesia” de Clive James, também trata de Sophie. Com perdão, reproduzo a passagem em inglês (o texto de Clive James é muito charmoso para uma tradução apressada). Diz ele:

Sophie’s brother Hans, the leader of the little resistance group that called itself the White Rose, was already pretty much a paragon. The Scholl family weren’t Jewish and Hans could have had a glittering career as a Nazi… (but) Hans figured out for himself that the regime whose era he had been born into was an abomination…

You would have thought to be as good as Hans Scholl was as good as you could get. He did what he did through no compulsion except an inner imperative, in the full knowledge that he would perish horribly if he were caught. Yet if moral integrity can be conceived of as a competition, Sophie left even Hans behind. Hans tried to keep her ignorant of what he was up to bur when she found out she insisted on joining in. Throughout her interrogation, the Gestapo offered her a choice that they did not extend to her brother. She turned them down, and walked without a tremor to the blade. The chief executioner later testified that he hed never seen anyone die so bravely as Sophie Scholl. Not a whimper of fear, not a sigh of regret for the beautiful life she might have led. She just glanced up at the steel, put her head down, and she was gone. Is that you? No, and it isn’t me either.

She was probably a saint. Certainly she was noble in her behaviour beyond any standard that we, in normal life, would fell bound to attain or even comfortable to encounter. Yet the world would undoubtedly be a better place if Sophie Scholl were a household name like Anne Franck, another miracolous young woman from the same period. In addition to an image of how life can be affirmed by a helpless victim, we would have an image of how life can be affirmed by someone who didn’t have to be a victim at all, but chose to be one because others were (…)”

Não posso deixar de recorrer a uma passagem preferida de “O mestre e Margarida” de Mikhail Bulgákov – livro finalizado alguns meses antes da execução de Sophie. Na segunda parte, há o comentário sobre outra execução, aquela de Ha-Hotzri (construído no livro em um claro paralelo com Jesus). Quando o chefe do serviço secreto comenta que Ha-Hotzri havia em suas últimas palavras agradecido e dito culpar ninguém por lhe tirarem a vida, Pilatos questiona: agradece a quem?

“- Ele não disse, Hegemon.
– Não tentou pregar algo na presença dos soldados?
– Não, Hegemon, ele não usou muitas palavras dessa vez. Disse somente que entre todas as fraquezas humanas a que ele considera pior é a covardia.”

por Leandro Oliveira

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Publicado às 8 de março de 2015 por em Amnésia Cultural, livros e marcado , , , , , .

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