Ocidentalismo

por Leandro Oliveira

O gênio de Bach

sunofcomposers

Hoje começamos a temporada de cursos do Estúdio de Cultura. As duas turmas cheias terão por tema Bach, o grande mestre da nossa música. Esta semana a abordagem tratará de privilegiar a compreensão do tipo de genialidade Bach cultivava. Fiz ao longo da semana algumas postagens na página do Facebook. Elas são mais de curiosidades sobre o compositor, algumas antecipando nosso assunto – cada uma delas trazendo por lá um link para vídeo ou gravação relevante. Aqui o resumo de algumas delas:

Dia 19 de Janeiro
Durante um debate sobre a relação entre Deus e os personagens de Bergman no filme “Através do Espelho” (1961), mediado pelo bispo luterano Lennart Koskinen, um membro da audiência teria perguntado: “no que você acredita, Ingmar?”. O diretor teria respondido: “acredito em outros mundos, outras realidades… e meus profetas são Bach e Beethoven; eles definitivamente nos mostram outro mundo”.

Dia 20 de Janeiro
Em “Offret” (“O Sacrifício” em português), o último filme de Andrej Tarkovsky, há o apropriado e emocionante uso de Bach – mais precisamente sua “Matthäus-Passion”. Os quatro minutos de créditos iniciais (sim, iniciais) não são gratuitos, mas oportunidade para ouvir uma das melodias mais sublimes da nossa cultura: Erbarme Dich (“Tem compaixão de mim”). O filme é um primor, e a sensibilidade e inteligência musical do diretor russo é absolutamente única.

Dia 22 de Janeiro
Bach teria dito que para fazer sua obra havia trabalhado duro. Completava: “não tive outra opção senão trabalhar. Qualquer um que trabalhe duro como eu trabalhei poderá fazer o que fiz”. Não se considerava um gênio, só um trabalhador dedicado…

Dia 23 de Janeiro
“Abwenden! Abwenden!” O conselho de Thomas Mann para os escritores seus contemporâneos – o de abandonar o mundo e dedicar-se ao cultivo da literatura – nunca foi tão sedutor. Nesta semana foram tantas as informações tenebrosas no Brasil, tantas mudanças medíocres e novidades sobre nossa incompetência – nossa, a nacional – que às vezes acho, como Roberto Campos: “o Brasil não tem o menor risco de dar certo”.

Então, lembro que talvez sempre tenha sido assim e me ocorre uma passagem do livro de Karol Berger:

“Antes” e “depois” há o tempo infinito de Deus, a eternidade. É essa estrutura fundamental de tempo irreversível impregnado de eternidade, do tempo humano suspenso no tempo divino, que Bach replica em sua Paixão. O tempo de Deus, o tempo sem irreversibilidade, é melhor que o humano pois ele permite a permanência… exatamente por isso, Bach, como muitos de seus predecessores, prefere aquele a este. (Karol Berger in “Bach’s Cycle, Mozart’s Arrow: An Essay on the Origins of Musical Modernity”)

Dia 24 de Janeiro
Para além de Bach, há a performance de Bach. Glenn Gould é em muitos sentidos controverso mas em todos os âmbitos fora do normal: os dedos sim, mas também a cabeça musical (como constrói a coisa toda!), o ouvido (como controla a polifonia!) e o coração (como toma riscos!). Realmente, um assombro.

Dia 26 de Janeiro
Em 1799, foi publicado um diagrama na forma de sol; seu título era “o sol dos compositores”. Bem no centro dele havia o nome de Bach. No entorno imediato de Bach estavam os nomes de Händel, Carl Heirinch Graun (1704 – 1759) e Joseph Haydn – mais distantes um pouco, Mozart, Gluck e alguns outros. O musicólogo Christoph Wolff chama atenção para Haydn, cuja reputação a altura era, fora de questão, a de maior compositor da Europa. “O compositor não teria ficado desfavoravelmente impressionado, nem ligado para proximidade com Händel e Graun. Sobretudo, jamais considerou que estivesse errado que fosse de Johann Sebastian Bach a posição central, tal como o homem a partir do qual toda a verdade musical procedia.”

Hoje, com casa cheia, a primeira das duas turmas sobre este sol entre os mestres da música, o inevitável Johann Sebastian Bach (1685 – 1750). Não há melhor companhia possível para começar o ano!

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por Leandro Oliveira

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