Ocidentalismo

por Leandro Oliveira

Os ingênuos da esquerda

Que os chargistas assassinados eram – nas palavras de um analista da Folha de São Paulo – de “esquerda, anti-racistas, anti-fascistas, anti-colonialistas, simpatizantes do comunismo ou do anarquismo” é indubitável. E também evidente que, como bons homens do humor, eram em grande medida iconoclastas (singular era o nível de iconoclastia, realmente pouco educada, como poderá constatar qualquer um que se aventure numa busca de imagens no Google sob o nome do jornal e leia um pouco de francês).

Tudo isso apenas me fez pensar o quanto muitos de nossos “radicais de esquerda” são ingênuos ao relativizar os atentados dos radicais islâmicos. Sua relativização do caso, quando não apoio quase deliberado ao massacre, é afinal comovente: lembro de Lula de mãos dadas a Ahmadinejad, Vladimir Safatle sugerindo leituras desconstrucionistas sobre atentados (qualquer atentado), Dilma Roussef sugerindo diálogo com ISIS – e some-se a eles Michael Lowy ou os falecidos Edward Said, Michel Foucault… Lembro destes e penso no que Paris nos lembrou esta semana: para os terroristas, toda essa gente com sua aversão ao capitalismo e a tudo mais que é civilizado e ocidental, com suas ideologias ou artimanhas retóricas que nós ocidentais nos forçamos a aprender a conviver, para os terroristas toda essa gente é menos que nada.

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Para informar-se sobre o caso parisiense, sugiro três artigos, de pertinência inegável:

Os grupos fundamentalistas islâmicos acham o Ocidente um lixo. Quem negar isso é mentiroso ou simplesmente ignorante. Odeiam nosso consumo, nosso culto ao “voto”, nossas liberdades, nossas mulheres (para eles, são umas vagabundas), nossos homens (para eles, somos uns frouxos), nossas músicas, como no passado odiavam os cristãos. (Na íntegra, aqui).

[Ao que parece,] O indivíduo responsável por seus atos só existe de um lado da equação, o das vítimas. Os assassinos são autômatos sem vontade própria, zumbis aprisionados num maquinismo cego que é manipulado no final das contas, veja só, pelas forças entrópicas do capitalismo ocidental. (Na íntegra, aqui).

Existe uma relação entre “islã” e “terrorismo” que é estabelecida pelos próprios terroristas. Isso cria um problema à religião muçulmana e obriga os líderes religiosos a condenar enfaticamente quem comete tais “heresias”. O xeque da mesquita de Lisboa, por exemplo, disse sobre o assunto: “Se eles não estão satisfeitos em viver num país liberal, podem emigrar e deixar-nos em paz”. É a resposta de um homem corajoso e bom. (Na íntegra, aqui).

por Leandro Oliveira

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