Ocidentalismo

por Leandro Oliveira

Das palavras à ação, apenas dúvidas?

O que fizeram 3 milhões de pessoas nas ruas francesas no domingo? Talvez, carioca que convive desde os anos de Brizola com o crime impune, eu tenha me tornado um cético quanto a efetividade de abraços a lagoas, marchas pela paz ou gincanas pela desarmamento… talvez, mas o fato é que as milhões de pessoas nas ruas de Paris precisam saber objetivamente como reagir ao massacre. Como carioca eu respondo: fizeram nada. As palavras de ordem, as camisetas “je suis Charlie” e coisas do gênero não mudam em nada os termos da equação já que do outro lado não poupa esforços para ver o Ocidente e seus valores submetidos. Afinal, eles têm metralhadoras e estão dispostos a usá-las, nós temos medo e preferimos brincar de quem pisca primeiro.

Mas talvez esteja errado. Em um mundo que se respeita – o que não parece ser o Rio de Janeiro -, 3 milhões de pessoas nas ruas é uma demonstração de força simbólica. Embora força simbólica não seja o suficiente, é sim alguma coisa. O analista Charles Millon, ao reverberar aquilo que já foi dito por Umberto Eco, estamos em guerra até o pescoço, os novos radicais são totalitários como os nazistas, acrescenta: estamos atrasados se quisermos lutar esta batalha, pois devemos agir não apenas militarmente, mas econômica, política e ideologicamente. Três milhões de pessoas nas ruas dizem algo como: somos orgulhosos de nossos valores, vamos nos esforçar para perpetuá-los.

Mas há, claro, os planos práticos. E aí a ideologia segue na rabeira. O problema dos intelectuais é que, a despeito das boas intenções, por vezes se veem sem propostas objetivas. Quem quer saber delas, deve se voltar à presidente do partido Frente Nacional, Marine Le Pen. Embora muito mais moderada que seu pai, um racista mais ou menos declarado, e embora tenha se mostrado alguém mais do que realista no enfrentamento da questão, ela segue sofrendo uma resistência midiática forte. Mas suas propostas (que não tiveram origem no final de semana), são conhecidas e não poderiam deixar de ser eficientes, lidando tanto com o controle maior das fronteiras e leis mais duras contra o terrorismo, quanto com a ruptura das relações diplomáticas com países que apoiam os fundamentalistas, o confisco da nacionalidade francesa aos candidatos à jihad e a expulsão dos imãs radicais que promovem a raiva.

Absoluto bom senso: não me parecem propostas de esquerda ou direita. Mas, como dito, sofrem resistência. Num mundo onde a correção política pauta até assassinatos, quem terá coragem de reivindicar sua pertinência? Sobretudo, quais serão as opções, como enfrentar a questão?

por Leandro Oliveira

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Publicado às 12 de janeiro de 2015 por em cultura e política, ESPECIAL, Explorações e marcado , , , .

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