Ocidentalismo

por Leandro Oliveira

Sobre o que não se pode calar

Um site que recebe o nome de Ocidentalismo.com não poderia deixar de dedicar boa parte de suas postagens ao evento desta semana. O massacre do Charlie Hebdo foi um desafio e tanto para todos os que pretendem de alguma forma ser pautados pelos valores positivos de nossa cultura ocidental.

Começando por um gracejo, imaginando que seja cabível gracejos em tempos obscuros como o nosso, é importante dizer que se não fosse por mais nada, jamais perdoaria os assassinos de Paris por fazerem-me defender ao longo da semana uma publicação como a do Charlie. Mas como disse Umberto Eco com todas as letras, estamos em guerra. E em tempos de guerra, não é hora para tergiversar sobre o essencial. E o essencial é o que nos separa, nós e eles, como mais uma vez, Gregos e Bárbaros: nós, os amantes da diferença e do voz do indivíduo, eles o oposto. E como diria Homero: “há pacto sincero entre homem e leão, lobo e cordeiro?”. Não há.

O essencial é nossa liberdade, a liberdade de todos, mas sobretudo daqueles entre nós que de algum modo pensamos e vivemos com as palavras. Afinal de contas, como os satiristas do hebdomadário francês, somos todos “pessoas que rabiscam por aí” (obrigado, Cora Ronai). Não é possível ter entre nós senões ou nuances quando sofremos por conta do policiamento e suscetibilidades de totalitários.

Ainda nesta segunda-feira, trarei algumas postagens que não foram publicadas por questão de força maior – a maior metrópole da América latina insiste primitivamente em ser palco deste pacto macabro entre os dois deuses inimigos, a chuva e a iluminação… E tem chovido, não podemos reclamar, mas nos falta a luz. Assim, as postagens sobre o caso parisiense e sua reverberação pelo mundo foram esboçadas ao longo de sexta-feira e sábado, seguem na caixa de rascunho e agora, mas só agora, com a volta da iluminação, podem esperar por ser terminadas e assim alimentar nossas discussões. Que assim seja.

No mais, resta rezar pelas almas inocentes perdidas esta semana – além dos duros golpes parisienses tivemos outros, menos simbólicos mas não menos veementes como o caso das 2.000 pessoas perdidas na Nigéria, longe dos holofotes da grande mídia internacional. O motivo é o mesmo, o Terror não nos dará trégua. Mas mesmo assim devemos insistir: é na esperança de dias melhores que por vezes se esconde Deus.

por Leandro Oliveira

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Publicado em 11 de janeiro de 2015 por em EDITORIAL, ESPECIAL.

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