Ocidentalismo

por Leandro Oliveira

Sopro democrático?

Terminadas as eleições de segundo turno neste domingo dia 26 de outubro, resta a boa parte dos analistas políticos a tarefa de entender, sopesar e mesmo criticar as decisões públicas tomadas pelas campanhas, militância e mesmo eleitorado. Tendo pouco a somar as tantas e díspares conclusões, limito-me a citar amigos. São a síntese de algumas idéias, uma perplexidade pessoal e uma interrogação.

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A idéia diz respeito a maturidade de nossa democracia. Talvez tenha sido a primeira vez que tivemos alguma espécie de concorrência normal, com participação ativa e desavergonhada das duas militâncias, com o suporte nada velado dos veículos de mídia e do corpo aberto para o debate público por parte dos candidatos. Como disse Roberto da Matta “no meio do tiroteio que nosso viés aristocrático rejeita como de mau gosto“, deixamos de lado o costume de ver a disputa majoritária com o triste teatro desigual de petistas aguerridos e tucanos falando pelos cantos, desencorajados, quando não envergonhados de seu voto. Nos aproximamos das grandes democracias, quando o enfrentamento se dá de forma declarada e as críticas por vezes temperadas com palavras fortes e diretas. Como disse Olavo de Carvalho, foi isso que fez com as esquerdas tradicionais tomassem por ódio o que é apenas a normalidade em um fenômeno que, a seu modo, eles perderam o hábito da conviver – em grande parte por pautar o debate, mas sobretudo por patrulhar a opinião. No fundo, tomaram projetaram o eodio que sentiram pois não ficou dúvida que, no fundo de seus corações, detestam essa realidade com todas as forças. O nome da realidade que ressurgiu no segundo turno presidencial do pleito de 2014 chama-se Democracia.

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Um amigo, Eduardo Pohlmann expressou de forma irretocável uma pequena perplexidade pessoal que se desdobra num gesto de reconhecimento.

Ao chegarmos ao final de uma das campanhas mais acirradas e sórdidas da democracia brasileira, penso em todos aqueles que se abstiveram completamente de tal período – não apenas de emitir opinião nas redes sociais, mas de se posicionarem com relação a qualquer tópico político relevante. Têm o meu respeito e compreendo tal posição, mas não consigo admirá-la. Lembro das palavras de Cálicles, no diálogo Górgias, de Platão: “how can a grown man leave the city’s business and spend his time whispering with two or three youths in a corner, never saying anything that matters?”. A política é o campo por excelência das coisas sérias. Os romanos tinham um nome específico para a virtude daqueles devotados a tais matérias: gravitas, a disposição de caráter de entender o peso, o impacto e a seriedade das questões políticas. Àqueles que não deixaram se amesquinhar pela infâmia e travaram o bom combate, e nunca se esqueceram da importância do que está em jogo – a esses sim, meu reconhecimento e, mais do que isso, minha admiração.

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Interessou-me deveras lembrar, e talvez interesse a todos os democratas, que as eleições de 2013 na Venezuela também contou com um resultado apertadíssimo: Nicolás Maduro foi eleito com 50,66% contra 49,07% de Henrique Capriles. Uma sociedade dividida, com os centros de maior escolaridade e capacidade produtiva majoritariamente votando em prol de Capriles. Mas isso não foi impeditivo para o recrudescimento das forças anti-liberdade no país. Precisamos de uma oposição forte na câmara e no senado. Precisamos de governadores fortes e republicanos. E todos os cidadãos devem seguir atentos aos movimentos do governo, sobretudo quando temos entre os bens pensantes aqueles que justificam o vandalismo a editora Abril e temos dentro do governo quem no dia seguinte à eleição ressurge com a pauta (estimulada por muitos amigos de esquerda) da “democratização da mídia”, um eufemismo tolo para solapar as liberdades de expressão e acesso a informação.

por Leandro Oliveira

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Publicado às 27 de outubro de 2014 por em cultura e política, EDITORIAL, Explorações e marcado .

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