Ocidentalismo

por Leandro Oliveira

Arte Radical e a carnavalização da sensibilidade artística

As meninas do Femen fizeram protesto durante missa de Natal na Alemanha. Os atos do grupo contam com um certo tipo de defesa que os trata como liberdade de expressão. Mais que de opinião, de expressão, como se o que fizessem fosse uma faceta da arte.

Não estranha, e sigo perguntando-me sobre o que afinal não seria arte hoje em dia. Até ontem, dar sopapos em guardas, vilipendiar símbolos e locais públicos ou destruir monumentos era sinal de tudo que chamaríamos por oposto a arte, barbárie. Sendo generosos, vá lá, um sinal de imaturidade, típico de adolescente mal-educado, que não sabe ainda se expressar direito. Arte pressupunha domínio de alguns meios, precários que fossem, como no caso dos guitarristas dos Ramones. O  público se aproximava como podia, repudiando ou não o resultado. E cada um convivia com sua tribo. 

Hoje o artista tem a permissão para tratar o público não como uma seleção de indivíduos com quem ele deveria tentar travar um diálogo, mas como um amontoado mais ou menos metafórico de opressores a quem ele deve acusar. A chamada Radical Art ofende  sob argumento de ser, a arte, uma resposta a agressões difusas da sociedade. Todo teórico da Arte Radical assume-a como um subproduto peculiar da arte engajada, portanto. Sim, há teóricos para a coisa. Parece piada macabra mas até os terroristas que jogaram aviões nas Torres Gêmeas encontraram entre figurões da nossa contemporaneidade, se não defensores, ao menos quem os justificasse. Não os justificaram sequer como políticos, mas como artistas pós-modernos.

E se até Osama Bin Laden está se expressando, por que não as garotinhas do Pussy Riot ou as peladonas do Femen? Bruno Torturra – que nome é destino, ora pois – sugeriu que “os black blocks usam de uma estética”. É possível argumentar a seu favor, inclusive, que não há mortos envolvidos  nos happenings da turba (não que não tenham tentado). Não adianta: assim seremos entendidos pelos nossos netos. Nossa contribuição para a história da cultura é a de ter entendido a ofensa e a agressão e o caos como facetas do Belo, do Bom e do Justo.

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Publicado em 13 de janeiro de 2014 por em cultura e ética, Explorações.

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